MUNDO DA FLORESTA

Não há mau tempo, mas más roupas.                                                         Ditado nórdico

Não é seguro não levar as crianças para fora, para não proporcionar-lhes um rico tempo de imersão no mundo vivo.

 

V. Arun IN “An Approach to Environmental Education…” – Journal of the Krishnamurti Schools

O MUNDO DA FLORESTA é um projecto e programa integrado no Centro de Apoio à Educação da associação O MUNDO SOMOS NÓS que tem como finalidade principal religar as crianças com a natureza, promovendo assim o seu desenvolvimento saudável e uma maior consciência do todo. Para além deste objectivo principal, através da utilização dos jogos e materiais disponíveis no espaço da ludoteca, as crianças podem aprender brincando.

 

Inspiramo-nos principalmente nas “Forest Schools” escandinavas e inglesas e no “Maravilhar-se – Reaproximar as Crianças da Natureza” de Rachel Carson, mantendo presente no projecto a filosofia educativa d’ O MUNDO SOMOS NÓS.

 

BENEFÍCIOS DAS ACTIVIDADES NA NATUREZA

 

Os estudos elaborados na Escadinávia e Inglaterra demonstram que as crianças que frequentam as “Forest Schools” (Escolas da Floresta) têm benefícios na sua saúde, personalidade e capacidades várias. Demonstraram sucesso com crianças de todas as idades que visitam o mesmo espaço selvagem local, regularmente e através do jogo, aprendendo sobre o meio ambiente natural, como lidar com os riscos e, sobretudo, a usar sua própria iniciativa para resolver problemas e cooperar com outros.

 

Os programas funcionam durante todo o ano, sendo que as crianças e guias vão para a floresta em todas as condições climatéricas (excepto com ventos fortes), sempre bem equipadas e protegidas. As crianças usam ferramentas reais, jogam e participam numa variedade de oportunidades de aprendizagem, desenvolvem capacidades pessoais, sociais e emocionais, tornam-se mais independentes, confiantes, aumentam a sua auto-estima, aprendem limites de comportamento, melhoram as suas capacidades de comunicação e, mais importante do que tudo o que foi referido, estas escolas promovem a sua auto-descoberta.

 

A auto-descoberta como chave para a relação criança - mundo

 

As crianças precisam de tempo para explorar seus pensamentos, sentimentos e relacionamentos. Normalmente pensamos que as crianças precisam de sociabilizar, mas a cada idade corresponde uma  fase de desenvolvimento diferente, que pode variar conforme a personalidade das crianças, saúde, etc.. É importante respeitar essas fases, independentemente da criança demonstrar interesses que normalmente associamos a outra fase. Por exemplo, um bébé que demonstre interessa por andar sem passar pela fase de gatinhar, pode simplesmente ter desenvolvido esse interesse por falta de oportunidades de ser independente, de ser deixado no chão a explorar livremente o espaço e a ultrapassar os desafios com as suas capacidades físicas. Outro exemplo: uma criança de 2 anos pode estar interessada em números e letras e em comunicação verbal porque foi estimulada pelo meio ambiente para isso e porque não teve oportunidade de explorar ambientes naturais, com desafios como subir árvores, correr, mexer na terra, nas folhas, etc.. A evolução do ser humano na Terra é replicada nas crianças, desde que estão na barriga da mãe, num meio aquático, passando pela postura em que gatinham como primatas, até que se erguem e começam a caminhar verticalmente. A postura vertical é um dos mais recentes desenvolvimentos na evolução biológica. Normalmente temos pressa com os nossos filhos e esperamos que eles falem, andem e aprendam a ler mais depressa do que os outros, mas um ser humano equilibrado integra o corpo e a mente, dando atenção a ambos.

 

Muitas vezes, para além de esperarmos que as crianças se desenvolvam rapidamente, também esperamos que comuniquem com os outros e se sintam bem em ambientes com muitas crianças, sempre em interacção, esquecendo os momentos para a integração das aprendizagens, que só se consegue através do silêncio, do estar só.

 

Dar tempo e espaço à criança pemite-lhe desenvolver a compreensão do mundo, do meio ambiente e de tudo dentro dela através do uso das suas emoções, imaginação e sentidos. A prática reflexiva é um processo essencial desenvolvido e usado em todas as sessões para garantirmos que a aprendizagem existe verdadeiramente.

 

Crianças e Natureza

 

Tendemos a acreditar que somos separados da natureza. Ali fora está a natureza e aqui estamos nós. Começamos recentemente a verificar que é importante para o desenvolvimento saudável das crianças que elas contactem regularmente com o meio natural. No entanto, o essencial é que compreendamos que nós somos natureza e a natureza é parte de nós.

 

É comum em Portugal o receio dos pais em permitir que as crianças brinquem ao ar livre, expostas aos elementos. “Está muito sol”, “Está a chover”,“Está muito frio” ou “Cuidado, podes magoar-te” são frases que ouvimos frequentemente. Os pais querem proteger as crianças - é algo natural-, mas muitas vezes a falta de informação sobre quais são os verdadeiros perigos para as mesmas leva a que cresçam sobreprotegidas, sem terem noção das suas capacidades, incapazes de correrem riscos, com uma baixa auto-estima e sem capacidade de resolução de problemas sob pressão. Também acontece o inverso, crianças que não têm noções de limites e pensam que são capazes de tudo, sem conseguirem avaliar correctamente uma situação.

 

No entanto, o argumento de segurança deve deveria ser transformado em Portugal, como já o foi na Escandinávia e noutros países do norte da Europa. Deixar as crianças dentro dos edifícios impede-as de obter o conhecimento e a compreensão do que significa ser um ser vivo que partilha um mundo com outros seres vivos. As crianças têm o direito de experimentar a alegria de descobrir a riqueza, complexidade e diversidade da vida.

 

A desconexão das crianças do meio ambiente não decorre da falta de desejo de o fazerem. Simplesmente o ambiente que as rodeia não é propício.

 

Neste projecto inovador em Portugal -  MUNDO DA FLORESTA - pretendemos levar as crianças TODOS os dias para o ar livre, faça frio e chuva ou faça sol. Como dizem os nórdicos, não há mau tempo, há mau vestuário. Assim, com calças e casacos impermeáveis, botas/galochas e chapéus, a diversão é garantida: escorregar na lama, brincar em troncos de árvores mortas, subir árvores vivas, apanhar folhas e paus, correr, deitar no chão, imaginar sem limites, tudo é permitido, desde que feito em segurança para si, outros e meio ambiente.

 

As crianças mais novas não estão preparadas para teorias sobre os problemas ambientais nem para quaisquer outras teorias. Elas querem apenas experimentar, conhecer o mundo. A forma como o apresentamos é que ira moldar a sua visão sobre o mesmo. Acreditamos que uma criança que se relacione com outros seres vivos irá mais tarde cuidar deles e protege-los. Conectando-se com a natureza a criança pode estabelecer uma relação íntima pois ela está pronta para amar o mundo mesmo que não o compreenda totalmente.

 

No meio natural podemos aprender coisas sobre o lugar onde estamos, da sua história, sobre a fauna e a flora, podemos desenhar, podemos aprender a contar e a calcular. E, sobretudo, podemos fazer descobertas.

 

As crianças gostam de aprender através de histórias e adoram micro-ambientes – observar  insectos, detalhes nas folhas e no chão.

 

Talvez possamos ensinar não apenas a sustentabilidade mas também sobre a regeneração de espaços. O futuro do planeta depende disso.

 

Vantagens para as crianças do contacto com a natureza

 

  • Liberdade de movimento

  • Desenvolvimento físico-motor

  • Construção da sua auto-confiança

  • Liberdade para desenvolver a criatividade

  • Liberdade para explorar e descobrir o mundo natural

  • Desenvolvimento de uma relação íntima de respeito com o ambiente e com os outros

  • Possibilidade de enfrentar desafios

  • Correr riscos

  • Cooperação com os outros

  • Maravilhar-se com a natureza

  • Desenvolver a sensibilidade

  • Espaço para ser

 

O que fazemos para apoiar:

 

  • Damos segurança, confiança

  • Incentivamos a concentração e comprometimento com uma actividade de cada vez

  • Apoiamos nas dificuldades e encorajamos a tentativa-erro

 

Segurança

 

As crianças serão acompanhadas por Guias da Floresta, profissionais com formação adequada com trabalho com crianças.

Nunca deixamos as crianças em situações de perigo sem ajuda. No entanto, tentamos sempre ajudar a criança a descobrir uma saída da situação por si. Se isso não for possível, intervimos, dando o apoio necessário, como sugestões ou mesmo apoio físico.

Nunca deixamos que as crianças fiquem sem vigilância e tomem decisões que as coloquem em perigo bem como a dos seus colegas.

 

Guias da Floresta

 

Os guias da floresta são profissionais com formação adequada para trabalhar com grupos de crianças em contexto de saídas na natureza. Também receberam formação para poderem trabalhar de acordo com as intenções educativas do projecto.

 

LUDOTECA – APRENDER A BRINCAR

Todos os dias da semana, a partir das 14:00 horas, o espaço da Ludoteca abre ao público. Neste espaço é possível aplicar o método Aprender a Brincar conjugado com princípios não contraditórios entre si de diferentes pedagogias que nos inspiraram (como Reggio Emilia, Waldorf, Montessori, etc.)

 

Tanto para as crianças a partir dos 2 anos, no espaço da Ludoteca, com a abordagem de Aprender a Brincar, como para as crianças de 5/6 e as mais velhas, no âmbito do apoio ao estudo, aprender deve ser algo natural.

 

Quando começamos a falar ninguém nos força  a dizer isto ou aquilo, nem ninguém diz que devemos começar a praticar a fala neste ou naquele momento. Falar, andar, correr, andar de bicicleta, nadar, são aprendizagens importantes na vida de um ser humano. Estas aprendizagens são naturais e normalmente os educadores não pressionam a criança para o fazer. Da mesma forma, aprender uma nova linguagem como a Dança, o Inglês, a Matemática ou as regras gramaticais do Português, implicam muita atenção e disponibilidade. Podemos até conseguir “obrigar” uma criança a memorizar informação, mas não temos nenhuma forma de controlar a sua real aprendizagem. A única forma que temos de avaliar é observar: sabe ou não sabe.

 

Por esse motivo, e tendo em conta os avanços da ciência, como as pesquisas sobre a importância da experiência sensorial-motora para o crescimento e o desenvolvimento do cérebro, percebemos que sendo a aprendizagem um processo altamente natural, revigorado pelas nossas interacções com outras pessoas através de experiências sensoriais e motoras, não podemos continuar a limitar o ambiente de aprendizagem a "ficar sentado, ficar quieto e memorizar coisas".

 

Aprender, pensar, criatividade e inteligência não são processos do cérebro sozinhos, mas de todo o corpo. Sensações, movimentos, emoções e funções integradoras do cérebro são fundamentadas no corpo.

 

Brincar é, por conseguinte, fundamental para a aprendizagem das crianças, pois contribui para o seu desenvolvimento intelectual, físico, social e emocional, e podemos criar uma cultura que valorize os princípios fundamentais do brincar: correr riscos, cometer erros, explorar novas ideias e sentir alegria.

Dizer simplesmente como se faz parece fácil para um educador, mas só torna o processo educativo aborrecido para ambas as partes. As crianças querem descobrir por si mesmas, por isso é necessário deixá-las tentar. Adquirindo significado e associadas a vivências específicas, as aprendizagens de vários conteúdos passam a fazer parte integrante do todo que é a criança. Ela aprendeu e não irá esquecer mais, pois o processo vivido não teve em conta a memorização.

Consideramos de maior importância permitir a livre expressão de cada criança e o desenvolvimento da sua imaginação. Isso consegue-se tanto num contexto natural como num contexto de sala.

 

Os jogos que utilizamos (Montessori, entre outros), são ferramentas de qualidade para a aquisição de capacidades numéricas, alfabetização, comunicação, consciência ambiental, etc.

 

A “mente científica” é incentivada através de vários meios, texturas e percepções sensoriais.

 

Fomentamos atitudes que levem as crianças a serem activas  na aprendizagem - curiosidade, assumir riscos, perseverar, resolver problemas, negociar e reflectir. Estimulamos e alimentamos o pensamento criativo fazendo perguntas, explorando as possibilidades em conjunto e desafiando e ampliando as ideias. Ajudamos as crianças a tornarem-se conscientes das conexões que podem fazer na aprendizagem, como entre novas experiências e anteriores. Criamos um contexto que lhes permita estar completamente envolvidas nas suas experiências para aprenderem profundamente sobre elas bem como sobre o impacto que causam.

 

Neste contexto baseamo-nos também nos princípios de educadores como Jesper Juul e Ivana Jauregui sobre regras e limites.

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